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Ahamada Smis

Estávamos esperando com muita ansiedade à geração pós-rap francês, a evolução natural de um estilo que se inspirava na energia do rap americano e na riqueza e a profundidade da língua francesa. Um estilo musical e uma cultura urbana que devolveram uma visibilidade a uma faixa marginal da sociedade francesa, os filhos dos bairros sociais, em grande parte de origem africana. O rap foi a vitrina da luta identitaria destes filhos de imigrantes e uma fonte de renovação para a língua popular, muitas vezes denigrada em lugar da língua rígida ensinada nas escolas. A poesia dos guetos e a cultura hip hop (junto ao grafiti, o breakdance e o deejaying) foi um fenômeno em massa na França dos anos 80 e 90. A década seguinte foi a da comercialização exagerada e a seca criativa.

O relevo chegou faz uns anos com o aparecimento do fenômeno "slam", uma forma de poesia oral profundamente vinculada ao movimento hip hop e de inspiração popular, mas que aborda temas mais diversos que os tratados pelo rap. Ahamada Smis inspira-se claramente no "slam" mas acrescenta-lhe uma produção musical muito rica que afunda num espectro largo de músicas africanas (em particular das Comores, seu país de nascimento) e no jazz. Um espaço amplo está concedido aos instrumentos tradicionais e outros sons acústicos. Os temas desenvolvidos nestes poemas tratam das raízes, da imigração, de Marselha, a cidade onde Ahamada vive desde os 11 anos (e onde residem muitos comorenses), da espiritualidade… Um artista que transporta o rap francês para novos territórios e que da uma dose de criatividade à expressão francesa popular e à música da diáspora africana.

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