A uns centos metros do bairro turístico de Montmartre em Paris, as lojas de lembranças transformam-se em postos de cassette de música árabe e africana, os cabeleireiros são os mais baratos da capital e os vendedores ilegais de cigarro abordam-te adiante das talherias muçulmanas.
Barbès, esse bairro ruidoso localizado entre o metro aéreo e o vitrina da mítica loja “discount” chamada "Tati", é um emblema da história da imigração em França, o lugar onde numerosos trabalhadores argelinos, marroquinos, malineses ou senegaleses elegeram seu primeiro domicílio, geralmente uma habitação num hotel ruinoso, esperando juntar um pouco de dinheiro. E é nos cafés deste bairro que nasceu a cena das músicas magrebís em França, então confidencial e freqüentada unicamente pelas centenas de imigrantes que baixavam ao café ao voltar da fábrica, a escutar umas canções de seu país. Cantores míticos saíram de ali, como Dahmane O Harrachi, Slimane Azem ou até o jovem Cheb Khaled, então longe dos projetores do “show-business” francês.
É o ruído, o cheiro e o alma deste bairro mestiço, mas também a fusão das diferentes comunidades musicais magrebís e francesas – muitas vezes tristemente rivais-, que representa a Orchestre National de Barbes. A união de 12 músicos chegados de diferentes regiões do Magreb e de França que montaram um repertorio que põe a todo mundo de acordo, marroquinos, argelinos, tunisinos e franceses dos bairros populares. Canções inspiradas dos ritmos allaoui, gnawi, chaabi, beréberes... conjugados com uma energia inspirada do rock e do ska. A Orchestre National de Barbes é antes de mais nada um grupo de direto e seu primeiro álbum, editado em 1997, foi gravado integralmente ao vivo. O grupo teve desde seus inícios um enorme sucesso em França e em África do Norte. Chegaram a gravar ao todo 4 discos, apesar de várias interrupções devidas a problemas de organização.
Seu último álbum, « Rendez-vous Barbes », é uma síntese dos 3 precedentes e chega a ponto para insuflar uma nova dinâmica às músicas norte africanas das que são os melhores embaixadores. Um instantâneo da energia e do espírito criativo que caracteriza os bairros populares de Paris, um disco que convida ao dance e que quase faria esquecer ao "demasiado sério" dos habitantes da capital francesa.



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