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Bela Fleck

Quando um artista de mal 50 anos teve 18 nominações aos prêmios Grammy em categorias tão diferentes como country, pop, jazz, bluegrass, clássica, folk, spoken word, compositor e arranjador, se calhar não vale a pena dizer nada mais sobre ele, mas por muito que já tenha feito em seus mais de 30 anos de carreira, falar de Bela Fleck é sempre o fazer de inovação, de viagem, de encontros e de aventura. E nesta ocasião mais que nunca, porque este genial intérprete de banjo nova-iorquino, que passou uns quantos anos de juventude a tocar nas ruas de Boston, publicou recentemente um desses álbuns que melhor definem a filosofia desta web-rádio de espírito nômade, e que basicamente pode se resumir em dois elementos: a mochila e o outro.

Após renovar o bluegrass, de recrear peças clássicas de Debussy ou Chopin com seu banjo, de tocar nos maiores festivais de jazz do mundo sem ser um jazzman, de atrever-se com misturas inéditas entre China e India, era só questão de tempo que este aventureiro enredasse as cordas de seu instrumento a melodias e vozes africanas. Por isso, em 2005, aproveitando a primeira pausa de seu grupo The Flecktones depois de 17 anos de carreira, Bela Fleck viajou a países como Uganda, Tanzania, Gambia, Mali, África do Sul e Madagascar para adentrasse nas origens do banjo e recuperar as sonoridades compartilhadas pelos ancestres deste instrumento trazido à costa de Norte América por escravos africanos. O resultado dessa experiência viu a luz o passado ano baixo o título “Throw Down Your Heart” onde a modo de jam sessions intimistas e cheias de cumplicidade, Fleck dialoga com artistas como o grupo vocal Nakisenyi de Uganda, Anania Ngoliga de Tanzania, D’Gary de Madagascar, ou os malineses Toumani Diabaté à kora, a cantora Oumou Sangaré ou o virtuoso de ngoni (ancestre do banjo) Bassekou Kouyaté. Encontros nos que o talento e a sensibilidade de Fleck lhe fazem escutar com humildade e não querer se destacar acima dos demais, senão simplesmente compartilhar e aprender.

Um trabalho discográfico acompanhado por um documental de Sascha Paladino com o mesmo nome e que narra todos estes encontros de Bela Fleck, mostrando essa amabilidade com a que no Terceiro Mundo sabem acolher ao estrangeiro e que em Ocidente faz tempo que esquecemos.

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